Fazendo o comando rm enviar arquivos para a Lixeira

Talvez você tenha um pouco de medo de usar o comando rm, porque ele exclui definitivamente os arquivos. Não há “lixeira”, e todos os métodos disponíveis para desfazer a deleção, como o ext2undel, não passam de boas tentativas com uma razoável chance de insucesso.

Você sabia que pode enviar um arquivo para a lixeira a partir do terminal, ao invés de apagá-lo? Para isso, você precisa instalar o pacote trash-cli. No Ubuntu, faça:

sudo apt-get install trash-cli

Em seguida você pode usar, no lugar do comando rm, o comando trash:

trash arquivo_a_apagar.txt

Você também pode manipular a lixeira com os comandos trash-list, restore-trash e trash-empty.

Substituindo o comando rm

E se quiser você evitar usar o comando rm por engano, insira no final de seu .bashrc:

alias rm=trash

Assim, cada vez que você digitar o comando rm, será na verdade executado o comando trash. E se você deliberadamente quiser excluir um arquivo, sempre poderá chamar o comando rm digitando uma contrabarra, assim:

\rm arquivo_a_apagar.txt

Mas você tem certeza que vai substituir o comando rm?

Na página do trash-cli o autor trata dessa questão. Ele diz que, embora você possa substituir o comando  rm pelo trash, você não deveria, porque os argumentos dos dois comandos são diferentes. Por exemplo, o comando rm exige o argumento -R para remover diretórios, o trash não. Então ele sugere que não o faça.

Mas, se você tem medo de apagar arquivos por engano, ele sugere uma outra abordagem. Crie um alias para o comando rm em seu .bashrc assim:

alias rm='echo "Este não é o comando que você quer executar."; false'

E pronto, você não vai mais executar o comando rm por engano, mas, do mesmo modo que no primeiro exemplo, sempre poderá executá-lo deliberadamente, começando com uma contrabarra.

PS1: o trash-cli é feito em Python, e muito bem escrito. Estudar o código dele pode ser muito instrutivo.

PS2: estou prestes a lançar, junto com o Ubuntu Dicas, uma novidade para quem quer aprender a usar o terminal. Se você é iniciante no terminal do Linux e gostaria de aprender os segredos para dominar o terminal, você precisa assinar a lista do Ubuntu Dicas.

Pare de usar FTP

Há mais de dez anos que meus processos de deploy, isto é, colocar um site ou sistema em produção, não usam FTP. Qualquer bom provedor, nacional ou internacional, oferece ferramentas muito mais eficientes para o deploy de sites e sistemas. E isso inclui desde pequenos sites em WordPress ou HTML estático até portais com milhares de acesso por hora e grandes sistemas rodando em estruturas de cloud computing elástico.

Por que você não deveria usar FTP

FTP é um protocolo muito simples de troca de arquivos, que pode ser útil para uma porção de coisas. Mas não possui os recursos necessários para o deploy e controle eficiente de aplicações web. Entre os problemas com o protocolo FTP, podemos citar:

  1. Falta de integração com controle de versão: você está fazendo uma manutenção num site, cujo diretório tem 5MB de dados. Você alterou não mais que uma dúzia de arquivos, em pastas diferentes. Arquivos texto cujos tamanhos, somados, não passam de 200KB. Como você faz o deploy por FTP? Ou sobe o site todo, “por via das dúvidas”, ou precisa pinçar os arquivos que precisa subir, um a um, certo? Algumas ferramentas de transferência, como o Filezilla, conseguem “sincronizar” as pastas, mas eles fazem isso varrendo as pastas uma por uma e comparando as datas e tamanhos dos arquivos. Leva um tempão e, se algum outro programador alterou os arquivos antes de você isso certamente vai dar problemas. O que nos leva a um segundo ponto:
  2. Falta de recursos de “auditoria” e controle de deploys: não há como obter um log ou lista de quem fez deploy, quando e o que foi feito. Um problema recorrente em ambientes em que uma equipe trabalha com FTP é a sobrescrita de alterações já publicadas. Na pior das hipóteses, gerando perda de trabalho. Mas mesmo que a equipe tenha um ambiente interno de controle de versões e a sobrescrita no FTP seja fácil de resolver, pense na dor de cabeça de ter que explicar para o cliente que o defeito que foi corrigido ontem voltou ao ar hoje, mas já estamos resolvendo.
  3. Falta de automatização: deploy por FTP é feito à mão. Um homo sapiens navega nas pastas de seu computador e do servidor e arrasta o que deve ser atualizado de um lado para outro. Num processo chato e delicado. Se ele arrasta as coisas para a pasta errada, pode ser muito difícil consertar o problema. Pode ser difícil até entender o problema. E se você coloca um homo sapiens para repetir uma mesma tarefa vinte ou trinta vezes, ele certamente vai errar alguma.
  4. Falta de recursos para rollback automatizado: você subiu a alteração. Em seguida abriu o site e viu um “erro de conexão ao banco de dados”. Percebe então que subiu a versão errada, ou no lugar errado. Como voltar atrás? Voltar atrás com FTP é um processo ainda mais manual e trabalhoso do que subir o site. Já vi casos, e não foram poucos, em que foi preciso pedir ao provedor para restaurar o backup diário. E esperar por isso, claro.

O que você deveria usar então?

SSH e Git. Há uma série de ferramentas para deploy automático, como o Capistrano ou o Jenkins. Esqueça isso tudo no começo. Aprenda SSH e Git, e construa seu processo de deploy com isso. Você vai ganhar:

  1. Deploy realmente automático. Com um único comando.
  2. Integração real com o controle de versão. Isso significa que sempre será possível rastrear cada alteração. Também significa rollback automático, o que é maravilhoso.
  3. Controle simplificado de múltiplos ambientes. Precisa fazer deploy em um ambiente de homologação, para mostrar as novidades ao cliente? Um comando. Ele aprovou as novidades, e agora é hora de fazer deploy em produção da versão que foi homologada ontem? Um comando.
  4. Preparação para o futuro. O site cresceu e você precisa agora migrar para um serviço como o AWS Elastic Beanstalk, que oferece escalabilidade “elástica” sob demanda dentro da estrutura de serviços da Amazon. O processo vai ser praticamente indolor. O cliente precisa agora de deploys com zero de indisponibilidade, e você resolveu usar a estratégia Blue Green. Já tem tudo o que precisa.

Por isso, não se conforme em usar FTP. Se precisa estudar SSH e Git, estude, vai valer a pena. Se já sabe, está esperando o quê?

“Jabá”: uma boa maneira de aprender como mudar seus processos de deploy, e muito mais, é o treinamento DevOps Heroes da Visie, que acontece daqui a duas semanas.

 

Extraindo o áudio MP3 de um vídeo com ffmpeg

Gosto bastante de alguns videopodcasts, como o Roda e Avisa e o Man in the Arena. Mas o tempo que tenho para ouví-los é quando estou dirigindo. Nesse momento, o fato de serem em vídeo não significam nada. Tê-los em MP3 é muito mais prático para mim, que assim consigo ouví-los no som do carro.

Para baixar os vídeos tenho usado o Easy YouTube Video Downloader. Meu próximo projeto pessoal é automatizar isso de alguma maneira, quem sabe com Miro.

Depois, para extrair apenas o áudio, em MP3, faço:

ffmpeg -i entrada_video.mp4 -vn saida_audio.mp3

Simples e rápido. E fácil de automatizar.

Dica de Python: iPython

A maioria dos programadores Python gasta bastante tempo no shell interativo. É onde fazemos debugging e testamos novos módulos. É também nossa calculadora (piada interna, quem lê, entenda.) Muitos programadores não conhecem o iPython, uma versão “vitaminada” do shell interativo. No site há versões para download para Windows e em formato de Python-EGG. Para instalá-lo no Ubuntu, você pode usar os repositórios do APT. Use:

sudo apt-get install ipython

Depois disso, é só chamar ipython no terminal ao invés de python quando quiser usar o shell interativo. Mesmo que você não conheça os truques do iPython, já deve achar muito útil usá-lo. Vai ter um formato de output mais fácil de ler que o do shell interativo padrão, prompts coloridos e autocompletar (pressione TAB)

Além disso, há alguns recursos fáceis de usar no iPython que realmente vale a pena conhecer. Experimento digitar, por exemplo:

import glob
glob?

Experimente também:

glob??

O iPython tem muito mais, mas o que já descrevemos aqui deve ser suficiente par quem vai usá-lo pela primeira vez.

Meu ambiente de trabalho em 7 itens

O Mike me convidou, então lá vai:

1. Ubuntu

O sistema operacional que simplesmente funciona. Meu notebook tem Ubuntu, o da minha mulher e os dos meus filhos também. Todos tem o Windows OEM em dual-boot. Nem me lembro quando foi a última vez que vi alguém bootar o Windows lá em casa. Aqui na Visie o Ubuntu também parece ser o sistema predileto de todo mundo que não tem um Mac ;-)

Sem brincadeira, se você desenvolve para um sistema Unix-like, deveria usar um. Você vai ter o mesmo modelo de permissões, a mesma estrutura de arquivos e as mesmas ferramentas na sua máquina e na hospedagem. Você vai ter shell script. Um dia desses resolvemos um problema em um projeto criando um link simbólico para um arquivo. Essa solução roda em nossos servidores e em nossos desktops.

2. Git

Ainda encontro muitas empresas por aí que não usam controle de versão. Pode parar de rir, estou falando sério. Eu não entendo como alguém pode escrever software sem um bom sistema de controle de versão distribuído.

3. web2py

O framework de desenvolvimento web mais produtivo que eu já achei.

4. Vim

Vim não é fácil, e deve ser mantido fora do alcance de crianças e animais domésticos. Mas é o editor de código mais rápido do planeta. Extremamente poderoso, indispensável para o bom programador.

5. Firefox e Firebug

O desenvolvimento de HTML, CSS e Javascript se divide em duas eras: antes e depois da Firebug.

6. OpenDNS e Dnsmasq

Nós até conseguimos comprar boas conexões aqui no Brasil. Mas os serviços de DNS de todos os provedores que eu conheço são uma piada.

7. Terminator

Com o Terminator posso dividir uma janela em vários terminais, em abas. Para quem usa vim e muito shell, é uma mão na roda.

E eu vou convidar:

Diego Eis, Ederson Peka, Luciano Motta, Mauro Baraldi, Leandro Lima e Pedro Rogério.

Dica de Ubuntu: desktop-webmail

Toda vez que você clica num link de e-mail o Firefox abre o Evolution? Acesse “Editar”, “Preferências”, “Aplicativos” e procure na lista por “mailto:”. Escolha “Gmail” e pronto. Sempre que você clicar num link de e-mails com o Firefox, ele vai abrir o Gmail.

Mas você pode se deparar com links de e-mail fora do Firefox, em outros lugares do sistema operacional. Por exemplo, um ícone mailto: no Desktop. Para fazer o seu Gnome sempre usar o webmail, instale:

apt-get install desktop-webmail

Em seguida acesse, no menu “Sistema” do Gnome, “Preferências”, “Aplicativos preferenciais”. Na primeira aba, abaixo do navegador preferencial, está o programa de e-mails. Deve estar selecionado o Evolution. Escolha o “Desktop Webmail”:

Configurando o Gnome para usar o desktop-webmail

Ao clicar pela primeira vez em um link de e-mail, será exibida a seguinte janela:

desktop-webmail

Você poderá escolher que webmail usar e o link será aberto nele. Se você desmarcar a caixa “Ask again” ele vai abrir diretamente o webmail da próxima vez que você clicar num link de e-mail.

Além disso, você pode abrir a tela de envio de e-mail a partir de um terminal (ou de dentro de um shell script) usando:

xdg-open mailto:email@example.com

notify-send: Notificações do Gnome em seu shell script

Você pode disparar notificações do Gnome a partir de um terminal usando o programa notify-send. No Ubuntu, para instalar, faça:

sudo apt-get install notify-osd

Feito isso, você pode chamar:

notify-send "Hello world"

Gnome notify-send

Cada notificação pode ter um título e um texto. Você passa os dois como parâmetros, assim:

notify-send "Hello again..." "Here goes the message"

Gnome notify-send

Você também pode incluir um ícone em suas notificações, usando o parâmetro -i, assim:

notify-send -i /home/elcio/Imagens/alerta.png "And again..." "Now with an icon."

Gnome notify-send

Além de incluir suas imagens, você pode usar os ícones do Gnome:

notify-send -i important "And again..." "Did I get some importance?"

Gnome notify-send

Para obter uma lista dos ícones disponíveis, dê uma olhada no diretório /usr/share/icons/gnome/48×48.