Desafio de programação: resolvendo Lights Off

Fiz essa versão do clássico joguinho Lights Off:

O jogo é simples, e o objetivo é apenas apagar todas as luzes. Por curiosidade, fiz também o algoritmo que resolve o jogo:

O desafio está lançado. O primeiro que colocar nos comentários a URL de uma página com um botão “solve” como o meu ganha uma entrada para o Codeshow. Importante:

  1. Vale o primeiro comentário. Mesmo que você comente de madrugada e eu demore a moderar, ganha quem comentar primeiro.
  2. O solucionador tem que ser escrito em Javascript. Você pode copiar minha versão do jogo e desenvolver em cima dela.
  3. Não pode resolver na base da tentativa e erro. Tem que ser uma boa solução, que resolva qualquer estado do tabuleiro em 20 passos ou menos.

Divirtam-se!

(O pessoal da Visie, se quiser participar, pode. Só não vai ganhar nada ;-))

utf8_decode em Javascript

Navegando por aí, acabei esbarrando no blog do meu amigo Marcos Rossow (nossa, quanto tempo!)

E encontrei esse post: JavaScript UTF-8 Decode, com um código tirado daqui: JavaScript utf8_decode.

Tem duas coisas que me incomodam nessa abordagem. A primeira é essa mania que muita gente tem, particularmente programadores PHP, de tratar UTF-8 como um “código alienígena” e ISO-8859-1 como normal e padrão. Alô, ISO-8859-1 é usado por parte do mundo. Não dá para escrever hebraico, mandarim, japonês, árabe ou russo com isso. ISO-8859-1 é uma das diversas tabelas de caracteres que existem mundo afora. E Unicode é a única maneira sensata de escrever um sistema que possa ser usado aqui e na China.

A segunda coisa que me incomoda é a quantidade de código. Não testei profundamente, mas tenho a impressão de que o código abaixo resolve o problema:

function utf8_decode(t){
  return decodeURIComponent(escape(t))
}

Hein?

Trecho de código legado (ASP) que pegamos aqui:

if len(request("price")) = 3 then
    valorTotal = left(request("price"),1)
elseif len(request("price")) = 4 then
    valorTotal = left(request("price"),2)
elseif len(request("price")) = 5 then
    valorTotal = left(request("price"),3)
end if

Jênio.

Porque meu GPS não fala com a web?

Passei a última semana no IPAE, aqui. É o colégio em que fiz o segundo grau (faz tempo!), um lugar fantástico, ao pé de uma montanha, região com paisagens inacreditáveis. Me hospedei no colégio com minha família, para matar saudades, e todos os dias saíamos para visitar algum lugar em Petrópolis ou Teresópolis.

Há catorze anos, quando estudei lá, telefonava para minha família uma vez por semana apenas, pois os interurbanos eram muito caros. Dessa vez, estava conectado via rede 3G o tempo todo. O mundo mudou muito rápido em catorze anos. Ponto para o 3G da Claro, que funcionou em todo lugar onde fui, inclusive em todo o trajeto paulista (Dutra, Carvalho Pinto, Ayrton Senna) e em boa parte do estado do Rio de Janeiro. Na região de Itatiaia virou 2G, mas continuou funcionando.

Antes de sair para viajar, usávamos o Google Maps e a Wikimapia para encontrar os pontos de interesse. O problema? Depois de encontrar o ponto de interesse, meu sobrinho tinha que digitar os endereços no GPS para obter a rota. E quando o ponto de interesse ficava no meio de uma estrada, o jeito era navegar à mão no GPS até o lugar, arrastando o mapa para cá e para lá.

Será que só eu sofri com isso? Vocês, meus bem informados leitores, conhecem algum aparelho de GPS que fale com a web, através de alguma integração maluca? O ideal seria GPRS. Seria muito interessante se, enquanto estou dirigindo, um passageiro pudesse pegar o GPS e ver a navegação acontecendo sobre a Wikimapia, por exemplo. Alguém já viu isso? Alguma idéia de como fazer?

Navegação rápida com o Google Public DNS

Uma coisa que sempre me espantou é a ineficiência dos servidores de DNS dos provedores de hospedagem brasileiros. Já testei ADSL, cabo coaxial, 3G e, aqui em São Paulo, de maneira geral as conexões são boas. Mas como o servidor de DNS dos provedores é ruim, a navegação é muito lenta.

Eu vinha usando OpenDNS, cuja performance é muito boa. Mas hoje resolvi testar o Google Public DNS. Deixa o OpenDNS no chinelo!

Como o Google conseguiu isso? Um mega sistema de cache, com cobertura global, e um inovador sistema de prefetching. Se você não está usando ainda, vale a pena testar.

Para facilitar a vida dos usuários de Linux, segue meu /etc/resolv.conf:

nameserver 8.8.8.8
nameserver 8.8.4.4

Sim, são esses IPs mesmo 😉 Não é fantástico?

Sobre Windows, Linux, paixões e times de futebol

Discussões sobre o melhor sistema operacional, o melhor navegador ou a melhor linguagem de programação tendem a entrar em loop infinito. Cada um dos lados parece achar o outro um completo idiota por não se convencer de suas opiniões.

Semana passada troquei algumas mensagens com o René de Paula que me fizeram pensar bastante sobre o assunto. O René provavelmente não me conhece, mas eu tenho aprendido muito com ele nos últimos anos, principalmente em seu podcast, o Roda e Avisa. E esse post não é um desabafo “estou chateadinho”. Estou citando o nome do René porque a conversa se deu no Twitter, ou seja, em público, e realmente me fez pensar.

O René recomendou esse artigo da ZDNet, analisando um estudo de segurança dos navegadores web. O artigo começa apresentando os resultados do estudo, em que o Internet Explorer ganha de lavada, e segue explicando porque, na opinião do autor, o estudo patrocinado pela Microsoft é tendencioso e irrelevante.

Respondi ao René dizendo que concordava com o artigo que ele havia indicado, que realmente o estudo era tendencioso. E usei a frase “o rei está nu.” Para mim, a crônica da roupa nova do rei é uma excelente metáfora para a situação. Ele me respondeu que havia visto meu blog e que achava que havia um “viés oculto” em tudo o que eu dizia. Em seguida twittou sobre o fato de as pessoas tratarem essas discussões como se fossem sobre times de futebol. Isso me fez pensar um bocado.

Eu gosto de, numa discussão, ouvir o outro lado. Também gosto muito de lógica. Se tem uma coisa que eu vou defender numa discussão, mais do que meu time de futebol, é o bom uso da lógica. Tento nunca ser irrazoável. Sei que todos somos tendenciosos, mas sempre tento ser mais imparcial que a média.

Talvez seja o fato de a discussão ter acontecido no Twitter, meio pouco propício, mas confesso que fiquei muito preocupado com a impressão que o René teve. Quem me conhece, sabe, trabalho com Linux, Windows ou Mac, sem rabo preso, escolhendo sempre o jeito mais simples de resolver cada problema.

Cada cabeça, uma sentença

Em primeiro lugar, não há um sistema operacional “melhor” e outro “pior”. Há um “melhor para você”. O fato de aquele seu amigo usuário de Windows não ter enxergado ainda que o Linux é o melhor sistema operacional do mundo talvez seja porque, para o perfil de uso dele, o Windows seja realmente o melhor sistema operacional.

Dificilmente eu tento convencer alguém a usar exclusivamente Linux. Sempre tento convencer as pessoas a experimentar. Se o sujeito me diz que é um heavy gamer, por exemplo, recomendo o uso de Windows. Sei, o Wine está muito evoluído e tal, mas se ele tem dinheiro para pagar as licenças e pode rodar a versão mais nova de cada jogo no ambiente em que ele foi feito para rodar, por que complicar?

Sim, não me esqueci, para certos perfis de uso, Mac OS X também é um sistema fantástico. Estou quase comprando um para minha mulher.

Existem, porém, padrões absolutos

O fato de não existir uma solução “bala de prata” e a paixão que costuma cercar essas discussões têm levado muita gente, principalmente programadores, a uma posição morna tão irrazoável quanto os extremos. É comum ouvir frases como “a melhor linguagem é aquele com a qual você sabe trabalhar” ou “a melhor ferramenta é a que resolve seu problema.”

Acredito sim que há casos de uso os mais variados. Mas, dentro de determinado caso de uso, há métricas objetivas que você pode usar para dizer o que é melhor. Falando em linguagem de programação, por exemplo, a melhor não é aquela que faz você se “sentir bem”. A não ser que programar para você seja só um hobby, a melhor é aquela que vai te permitir resolver mais rápido o problema do cliente, com a qualidade e a performance necessárias.

Dado um determinado problema do cliente, e uma determinada métrica de performance, deve ser possível apontar a melhor linguagem para essa situação.

Que problema seu software se propõe a resolver?

Se você é desenvolvedor de software, é importante entender isso. Você dificilmente vai encontrar uma oportunidade de desenvolver um produto que é o melhor para todo mundo. Não há unanimidades.

Você pode desenvolver algo que é o melhor para a maioria, pode achar uma minoria endinheirada, ou pode desenvolver algo legal para você mesmo e torcer para que haja gente parecido com você lá fora.

Mas, se você tentar ouvir todas as sugestões que receber e superar os concorrentes em absolutamente todos os perfis de uso, nunca vai terminar de desenvolver.

Mente aberta

Na Visie hoje temos 7 máquinas Windows, 6 Linux e 3 Macs. Sem contar as VMs, o ambiente de testes, e os servidores onde estão hospedadas as aplicações. Desenvolvedor, abra sua mente. Aprenda uma linguagem de programação nova, experimente outro sistema operacional, teste outra solução. Você vai aprender muito.

Aprenda Python, Ruby, Haskell ou Scala. Isso vai tornar você um melhor programador PHP, Java ou .Net. Desenvolva um projeto com uma banco de dados não relacional (estou usando MongoDB em um projeto.) Se você ama WordPress, faça alguma coisa com Joomla, e vice-versa. Tente outro framework, outro editor, outro jeito.

Sobre navegadores

No dia seguinte a essa conversa estive no escritório do W3C Brasil, assistindo ao Café com Browser com o pessoal do Internet Explorer.

Eles passaram boa parte do tempo falando sobre os recursos do navegador para o usuário final. Coisas como abas (oh!) e favoritos mais legais, webclips, processos independentes em cada aba, melhorias de performance e segurança. Tudo muito interessante mas, eu acho, apresentado para o público errado. Estávamos dentro do W3C, afinal de contas. Queríamos saber sobre as melhorias para o desenvolvedor.

Ao final, a palestra sobre melhorias para o desenvolvedor foi, para mim, parte surpreendente, parte decepcionante. Me surpreendi principalmente pela reação dos desenvolvedores no Twitter. Muita gente não conhecia as developer tools do IE8, ou os modos de compatibilidade, por exemplo. Quando foi apresentado o querySelector, muita gente twittou revoltada, porque a Microsoft estava “inventando um novo jeito proprietário de fazer as coisas”. Gente, o querySelector é uma recomendação do W3C (está em Working Draft, mas está lá.)

A parte decepcionante, expressei em minha pergunta:

Em suma, não tenho ódio da Microsoft ou de quem quer que seja. Não quero que o Internet Explorer suma do mapa. Ainda tenho projetos em ASP, VB e .Net, e sou feliz com isso. Só quero poder desenvolver uma vez só minhas aplicações. Quero não ter que cobrar do cliente pelo custo de fazê-la funcionar no Internet Explorer. Quero entregar mais rápido aplicações melhores, mais estáveis, com menos código.

Eu vou ao 1º Encontro de TI da Arteccom

A Editora Arteccom está organizando o I ETI. Eu vou estar lá, e recomendo, parece que vai ser muito interessante. Recebi deles o seguinte release:

É tempo de interatividade e o 1º Encontro de TI faz tudo o que o público deseja!
A editora Arteccom promove novo evento que promete agitar o mercado dos desenvolvedores web.

Sabe aquele evento que você sempre sonhou? Com as palestras que você sempre quis assistir? Virou realidade! A Arteccom fez uma pesquisa com desenvolvedores web para que fossem sugeridos temas e palestrantes para o evento. 512 profissionais da área de TI responderam a pesquisa e, mais tarde, com expressiva participação do público no site www.encontrodeti.com.br, foi desenhado o 1º Encontro de Tecnologia da Informação.

Os temas mais votados e escolhidos para as palestras foram “Linguagens – quais são as mais requisitadas pelas grandes empresas e o valor das formações/certificações”, “CMS livres: Drupal x Joomla! x WordPress”, “Ferramenta Google Analytics: como analisar acessos e gerar melhores resultados” e “Padrões W3C – Como tornar seu site mais leve e mais acessível”. E ocorrerão ainda, simultaneamente, algumas oficinas que vão discutir os assuntos mais atuais da área, como Ruby On Rails, SEO, Interoperabilidade e Scrum.

Mas a interação não pára por aí. Depois de escolhidos os temas, os mediadores das palestrantes e oficinas propõem um debate no site do ETI para decidir qual especialidade dentro do assunto principal será abordada para as palestras (http://www.encontrodeti.com.br/site/?p=558). Ou seja, todas as decisões são feitas através de pesquisas com o público.

Vai ter até café da manhã, espaço imprensa digital, e, para completar, eu te faço mais uma perguntinha: Já pensou em um evento com as palestras e oficinas que você sempre sonhou, e no final ainda curtir um Happy Hour? Não está acreditando não é? É isso aí! Você não pode perder! No final deste mês, dia 27/11, quinta-feira, na Amcham Brasil, em São Paulo, e dia 29/11, sábado, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro.

Para ter um gostinho do que vai rolar no evento, confira os quatro chats sobre os temas das palestras, que tiveram ótima repercussão com cerca de 50 participantes em cada sala: http://www.encontrodeti.com.br/site/?page_id=319.

O Encontro de Tecnologia da Informação é uma realização da Arteccom, com os patrocínios de PagSeguro UOL, UOL Host, Tecla e Hostnet.

Veja a programação do evento:

08:30 – Credenciamento
09:00 – Café da manhã (networking e visita aos estandes)
10:00 – Abertura
10:15Palestra: “Linguagens: quais são as mais requisitadas pelas grandes empresas e o valor das formações/certificações”
Palestrante SP e RJ: Guilherme Chapiewski (Globo.com)
11:15Debate CMS livres:
– WordPress: SP: José Murilo (Minc) | RJ: Guilherme Aguiar (Minc)
– Joomla!: Ricardo Accioly (Noix)
– Drupal: Paulino Michelazzo (Fábrica Livre)
13:00 – Intervalo para almoço
14:30Palestra: “Google Analytics: como analisar acessos e gerar melhores resultados”
Palestrante SP: Ruy Carneiro (WA Consulting)
Palestrante RJ: Gustavo Loureiro (Infnet)
15:30 – Intervalo para visita aos estandes
16:00Palestra: “Padrões W3C: torne seu site mais leve e mais acessível”
Palestrante SP: Vagner Diniz (W3C)
Palestrante RJ: Everaldo Bechara (iLearn)
17:00 – Happy hour
18:00 – Encerramento

Oficinas (vagas limitadas):

10:15 às 11:15h (palestra principal: Linguagens e certificações)
Ruby on Rails – SP Fábio Akita (Locaweb)
Ruby on Rails – RJ Sylvestre Mergulhão (Hostnet)

11:15 às 12:15 (palestra principal: CMS livres)
SEO – SP Fábio Ricotta (MestreSEO)
SEO – RJ Paulo Teixeira (Marketing de Busca)

14:30 às 15:30 (palestra principal: Google Analytics)
Interoperabilidade – SP Fábio Hara (Microsoft)
Interoperabilidade – RJ Gilson Banin (Microsoft)

16:00 às 17:00 (palestra principal: Padrões W3C)
Scrum – SP Guilherme Chapiewski (Globo.com)
Scrum – RJ Guilherme Chapiewski (Globo.com)

Locais:

São Paulo
Data: 27 de novembro de 2008
Local: Amcham Brasil
Rua da Paz, 1.431 – Chácara Santo Antônio – São Paulo – SP
Telefone: (11) 5180-3728

Rio de Janeiro
Data: 29 de novembro de 2008
Local: Centro de Convenções SulAmérica
Av. Paulo de Frontin, 1 – Cidade Nova – RJ
Telefone: (21) 3293-6700

Inscrições: www.encontrodeti.com.br
Mais informações: (21) 2253.0596

Texto de Flávia Freire
Flavia.freire@arteccom.com.br

Recomendo. Vejo você lá.

Coquetel de lançamento do livro: Internet – O Encontro de Dois Mundos

Internet o encontro de dois mundos Nesta quarta-feira, 4 de junho, às 19h na FNAC da Paulista, haverá o coquetel de lançamento do livro Internet – O Encontro de Dois Mundos, que conta com uma crônica deste seu humilde blogueiro.

O coquetel é gratuito, e contará ainda com uma palestra de Gil Giardelli. Vai por mim, só a palestra já valeria sua ida até lá.

O livro também é algo muito especial. Nada de XHTML, Rails, PHP, Flash e coisas do gênero, é um livro para te fazer pensar.

Aconteceu comigo: eu faço parte da revolução

Na última quinta-feira preparamos uma edição especial do Workshop de Produtividade apenas para convidados. Acontece que, por “motivo de força maior”, um bom grupo de convidados não pode vir. Tínhamos então o dilema de fazer o evento com poucas pessoas.

Naquela manhã o Diego ficou sabendo, no twitter, que o Marco Gomes estava transmitindo o pessoal da boo-box jogando Wii. Logo ele teve a idéia de transmitir o evento.

O resultado me surpreendeu. Embora fosse de graça, era um evento em horário comercial, não teve nenhuma divulgação e foi anunciado na hora do evento. Achei que ninguém ia conseguir se agendar para assistir, mas tivemos uma média de 30 participantes, com alguns períodos com mais de 50. Os vídeos estão disponíveis para quem quiser conferir.

A cada dia mais me convenço de que isso tudo é uma revolução. Não estamos apenas fazendo melhor as mesmas coisas de antes, estamos fazendo coisas que antes não eram possíveis. Ouse, se arrisque, não tenha medo. Você corre o risco de as coisas darem certo.

FriendFeed é diferente do Wasabi

O Tiago Dória gostou da idéia de se criar um feed pessoal. Em seguida o Cris Dias discordou dele. Os argumentos do Cris são interessantes, ele coloca que a idéia já existia com o Wasabi, que teve o seu momento mas hoje não tem nenhuma relevância.

Eu, porém, vejo uma diferença fundamental entre o Wasabi e serviços como o FriendFeed. Quando me cadastrei no Wasabi, o fiz todo empolgado. Mas eu perdi o interesse logo que percebi que não poderia acompanhar as novidades do Wasabi no Google Reader. Nesse aspecto, o FriendFeed é justamente o que eu queria.

Por outro lado, é claro que eu não vou assinar o feed pessoal de todo mundo cujo blog eu leio. Não me interessam em nada as fotos de fim-de-semana daquele sujeito cujo blog sobre Linux eu acompanho. Nesse aspecto, concordo com o Fabricio Zuardi. Por outro lado, acharia muito interessante o feed pessoal de amigos mais próximos, colegas de escritório, familiares e pessoas que admiro muito. E quando um amigo criar uma conta no Flickr, eu não vou ter trabalho nenhum para ver as fotos.

Bom, para quem quiser, tenho meu feed pessoal no FriendFeed. Cuidado, você vai receber tudo o que eu publico, sobre todos os assuntos!

Photoshop agora roda bem no Linux

Google Sponsors Wine Improvements

O Google usa o Wine para oferecer o Picasa, seu gerenciador de fotos, para usuários de Linux. Para isso, o Google financiou o pessoal da CodeWeavers, que desenvolve o Wine. Wine é uma implementação da API do Windows para Linux, muito útil para usuários que querem migrar para Linux mas ainda dependem daquele software que só roda em Windows. E o software que mais impede gente de migrar para Linux é o Photoshop.

Impedia. O Google também pagou à CodeWeavers para melhorar o suporte ao Photoshop no Wine. De quebra, as melhorias feitas ainda ajudaram a rodar uma porção de outros softwares no Linux, entre eles o Flash. Meu amigo DGMike está agora um passo mais perto da migração total 😉

O que eu fico me perguntando é porque o Google fez isso? Para diminuir seu custo com licenças de Windows? Ou para jogar sua pá de terra na Microsoft?

De qualquer maneira, é um exemplo que mostra bem o que é software livre. Software livre não é necessariamente software grátis. Nesse caso, o Google pagou os custos de desenvolvimento. E o mundo inteiro vai ser beneficiado, sem que você precise pagar de novo por algo que já foi desenvolvido.

Ubuntu chega oficialmente ao Brasil

Boa notícia: Ubuntu chega oficialmente ao Brasil.

“Nossa estratégia será fechar parcerias com fabricantes para oferecer o Ubuntu pré-instalado e pré-configurado, faturando com suporte, serviços, segurança e atualização.”

Vem em boa hora. Um funcionário meu comprou um notebook[bb], um Presario v6210br, que veio com Mandriva. O suporte é uma piada. Não conseguíamos conectar em redes com chave WEP, apenas redes abertas. Em todas as ligações que fizemos os atendentes nos disseram que, se o computador conecta em uma rede e outra não, o problema é na rede, e eles não prestam suporte a configuração de redes. Mesmo argumentando que os outros notebooks na empresa, com Linux[bb] e Mac OS, se conectam normalmente à rede.

Parece que eles colocam Linux nessas máquinas só para reduzir custos, mas não esperam que ninguém vá usar realmente o sistema. A qualidade da instalação é entristecedora. Veio com a rede wi-fi configurada via ndiswrapper e cheia de problemas, e os drivers para a placa de vídeo 3D simplesmente não vieram instalados. Parece que esperam que todo mundo vá instalar um Windows pirata na máquina.

Quem sabe com uma distribuição de verdade, prestando suporte de verdade, notebook com Linux pré-instalado deixe de ser piada no Brasil.

Radiohead: elimine os intermediários

A banda Radiohead lançou, há quase um mês, seu novo álbum, “In Rainbows”, de um jeito bem diferente. Você pode entrar no site da banda e baixar o álbum sem pagar nada, ouvir, e decidir quanto você quer pagar por ele. Se achar que não vale nada, não tem problema, não precisa pagar. Você também poderá comprar, em dezembro, um box com o disco no formato físico, um vinil duplo e um CD multimídia com sete faixas extras, letras, imagens e outros itens. Vinil, cara, faz idéia do que é isso? Esse box vai custar uns 80 dólares.

Bom, agora, quase um mês depois começam a sair os resultados. É importante que você saiba que todo o restante desse artigo é um palpite, baseado numa estimativa feita pelo site Gigwise, e só a Radiohead realmente sabe quanto de verdade faturou. Dito isso, veja essa matéria na Info: Maioria não paga por download do Radiohead.

Quem escreveu essa matéria, o pessoal da RIAA? Eu imaginei que jornalistas, ao criar manchetes para suas matérias, devessem escolher coisas relevantes. Bem, a maioria não pagou, certo. Alguém esperava que fosse diferente? Agora vamos falar do que a matéria não disse. Desde o início de sua carreira, em 1993, a Radiohead vendeu nos Estados Unidos 8,2 milhões de discos. O último álbum do Radiohead, “Hail to the Thief”, vendeu 300.000 cópias no mesmo intervalo de tempo e, até hoje, vendeu nos Estados Unidos cerca de um milhão de cópias. “In Rainbows” teve 1,2 milhão de downloads, sendo que apenas 38% dos usuários pagaram, em média US$ 6,00.

Bom, eu não sei quanto a EMI pagava ao Radiohead por cada CD vendido, mas você vai achar interessante esse artigo, já antigo, da Courtney Love no salon.com. Ela diz que a gravadora paga ao artista 20% do preço de venda, e ele tem uma série de outros custos que fazem a conta apenas empatar. O “Hail to the Thief” custa hoje US$ 10,00 na Amazon. Mas foi vendido a US$ 19,00 a maior parte do tempo. Vamos ignorar o que a Courtney disse sobre os outros custos e tomar apenas o preço de venda. O “Hail to the Thief” deve ter feito a Radiohead faturar, no primeiro mês:

US$ 19,00 X 300.000 X 20% = US$ 1.140.000,00

E para o “In Rainbows”, a quantidade de pessoas que efetivamente pagou foi 38% de 1,2 milhão, um valor médio de 6 dólares:

US$ 6,00 X 1.200.000 X 38% = US$ 2.736.000,00

Imagine se o site deles não fosse um lixo. E aí, você ainda acha que “maioria não compra” é uma boa manchete? Esse fato óbvio é mais relevante do que o fato de eles terem faturado mais que o dobro do disco anterior no mesmo período de tempo?

Intermediários? Embalagens?

Artistas produzem música, fãs compram música. Um CD não é música, é uma embalagem de acrílico, alumínio e policarbonato para as músicas. Quanto custa essa embalagem? É possível comprar CDs virgens a R$ 59,00 o cento, o que dá R$ 0,59 por embalagem. Uma embalagem muito inconveniente para música, diga-se de passagem. E uma gravadora, o que é? Um intermediário. Alguém que embalava, transportava e entregava o produto. O que a tecnologia fez foi tornar a embalagem e o intermediário dispensáveis. A mesma coisa acontece com filmes e livros, por exemplo.

Mas algumas pessoas ainda querem embalagens. Por isso o Radiohead vai vender o box, com tantos adicionais. Inclusive o vinil. Você percebeu, estou pasmo com esse negócio do vinil! Muita gente vai comprar só por causa do vinil. Nesse caso, a embalagem agrega valor. Ela é dispensável, e quem só quer a música não vai comprar a embalagem. Mas quem levar a embalagem vai levar porque quer, porque ela é muito desejável. E sem o intermediário.

E você, qual é o seu produto? A internet pode livrá-lo dos intermediários? Que embalagens você pode dispensar? O que você poderia fazer em suas embalagens para que elas sejam desejáveis?

Intercon 2007: ninguém compra essa coisa de site

Ao final de minha palestra[bb], em que falei de métodos, práticas e ferramentas para a produtividade, padrões web e acessibilidade, o grande Manoel Netto, do Tecnocracia, me fez aquela pergunta que todos já estamos cansados de ouvir, mas é importantíssima:

Como fazer com que o cliente pague por padrões web, acessibilidade e toda essa qualidade, quando há gente por aí desenvolvendo sites[bb] a R$ 70,00?

Há dois pontos importantes aqui. O primeiro é que nem todo mundo precisa realmente de um site. O seu José da quitanda da esquina talvez não precise realmente de um site. Pode ser que isso venha a mudar num futuro próximo, e estou à disposição para revisar esse artigo, mas hoje talvez parte do problema seja que você está tentando vender um site para alguém que realmente não precisa de um. Esse ponto nos leva a um próximo:

Ninguém está interessado em comprar esse negócio de site aí. Ninguém compra site. Se você vende site, está vendendo alguma coisa que ninguém quer comprar, e seus clientes vão achar caro mesmo. Ninguém compra site, ninguém compra sistema, ninguém compra e-commerce. Pronto falei. Sabe o que se passa na cabeça do seu cliente quando você oferece a ele um e-commerce por, digamos*, R$ 25.000,00?

“Por esse dinheiro eu coloco dois operadores de telemarketing para trabalhar aqui por um ano.”

“Hmmm, é o preço de uma boa reforma na frente da minha loja.”

“Por que eu deveria pagar por isso mesmo?”

Padrões web, usabilidade, acessibilidade, Ajax, tudo isso tem um custo, mas não é isso que seu cliente compra. No caso de nosso e-commerce hipotético, ele está comprando um vendedor. Um vendedor que trabalha 24 horas por dia, que não vai ficar doente ou abrir um processo trabalhista, um vendedor que pode atender milhares de pessoas. É uma questão de números, R$ 25.000,00 pode ser muito barato se você puder mostrar a ele que vale a pena.

Mostre a seu cliente quanto dinheiro ele vai ganhar, ou quanto ele vai poupar. Dê a ele segurança disso, e ele vai achar seu preço barato. Por exemplo, do último e-commerce que você desenvolveu, qual a quantidade de visitas? Qual a taxa de conversão? Qual o ticket médio? Você faz idéia de quanto o seu cliente lucrou com o site?

Do último sistema de atendimento online que você fez, qual o grau de satisfação do usuário? Qual a eficiência do sistema comparado com o atendimento telefônico? Eficiência se mede em quantidade de clientes atendidos, em tempo de atendimento, etc.

Se você não tem números, seu cliente vai ter que decidir na base do palpite. Vai ser realmente difícil para ele escolher entre você e o sobrinho dos R$ 70,00. Mostre a ele porque ele deveria deixar de contrar mais dois vendedores ou reformar a frente da loja.

* Você provavelmente deve ter entendido que eu não estou dizendo que um e-commerce deva custar R$ 25.000,00. Esse é um preço hipotético. Um e-commerce pode custar R$ 2.500,00 ou R$ 250.000,00, e esse não é o nosso assunto aqui.

Café.com Blog: o que são blogs?

Acabo de chegar do Café.com Blog. O evento, promovido pela revista Bites, reuniu frente a frente executivos de Tecnologia de Informação de grandes empresas, empresários e outros engravatados com um interessantíssimo time de blogueiros[bb]. O evento foi interessante, mas o formato ainda pode melhorar bastante. O BlogCamp, por exemplo, foi muito mais interessante. Um evento sobre mídia social não pode começar com palestras do tipo “você fala, nós escutamos”, mesmo que as palestras tenham sido muito boas.

Depois das palestras conversei com alguns blogueiros e o clima era meio de “foi para isso que viemos aqui?” Na hora do bate-papo, o evento realmente começou a gerar algum valor, mas o tempo era muito escasso e a coisa toda ficou formal demais. Paciência, blogueiros. Uma coisa é pegar um sujeito que passa seus dias compartilhando informações no blog, no Twitter, no Facebook e jogá-lo numa desconferência. Outra é pegar o diretor de TI de uma empresa com 10.000 horas de PowerPoint no currículo e tentar fazê-lo colaborar.

Nas perguntas dos engravatados ficou claro que as empresas ainda não entenderam esse negócio todo. “Como me comunicar com blogs? Como vocês blogueiros vêem os blogs corporativos? etc.”

Bom, vamos do começo. O Edney disse no evento que começou seu site porque não aguentava mais seus amigos fazendo perguntas sobre informática. Esse é um exemplo fantástico. Um blogueiro é só isso, uma pessoa, que por qualquer motivo tem alguma coisa a dizer. Eu disse PESSOA, Pê – ê – ésse – ésse – ô – a!

Embora para o Edney seu blog possa ser um negócio, um emprego, um hobby ou qualquer outra coisa, para o resto do mundo é só isso: uma pessoa. Sabe aquele cara no seu prédio que conhece todo mundo? Conhece os vizinhos, conhece os porteiros, conhece os taxistas e o cara da padaria? O blogueiro é como esse cara, a única diferença é que um blogueiro como o Edney tem 3 milhões de vizinhos.

Imagine que você tenha um produto para vender, digamos, um desembaçador de espelho de banheiro. E vai convencer seus 10 vizinhos mais populares a falar do seu produto. Você os conhece, pessoalmente. Que estratégia você vai usar? Mandar um press-release a cada um deles? O blogueiro é como o seu vizinho. Não tem nenhuma obrigação de falar de você, e se resolver falar, não tem nenhuma obrigação de falar bem. E simplesmente não vai dar nenhuma atenção se achar que você está desperdiçando o tempo dele. Então se você não der a ele algo a respeito do qual vale a pena falar, ele simplesmente irá ignorá-lo. E se der algo muito ruim, ele pode achar que vale a pena falar mal sobre seu produto.

Quer saber de um segredo? As coisas sempre foram assim. Se você pegar os livros de marketing de 20 anos atrás vai encontrar bastante coisa sobre o poder do boca-a-boca. As pessoas sempre procuraram informações com o vizinho, com um amigo ou parente antes de comprar. O que acontecia de diferente é que no passado nem sempre o sujeito encontrava um amigo ou parente que possuía ou sequer se interessava pelos produtos que ele queria comprar. Era o caso do sujeito que queria uma boa máquina fotográfica, mas não tinha absolutamente ninguém próximo que entendesse de fotografia. Hoje, no melhor estilo long tail, você vai encontrar na web gente apaixonada por aquilo que é do seu interesse, sejam bromélias, espeleologia ou computação analógica.

Então vamos às perguntas

Como me comunicar com blogs?

Exatamente como com o seu vizinho. Como uma pessoa. Não tenho tempo de ouvir a ACME.com, mas a coisa vai ser diferente se o Marcelo, que é um cara muito legal, bem-humorado e inteligente, leitor do meu blog e de uma série de outros, e que por um acaso trabalha na ACME.com, tomar seu tempo para me escrever algo genial, que vale a pena ser passado adiante.

Ligue para o setor de atendimento de qualquer grande empresa de tecnologia para perguntar sobre um novo modelo de computador. Um que seja 0800, para que você não gaste seu dinheiro à toa. Preste atenção em como eles falam. Agora ligue para um bom amigo que trabalha na área, para pedir indicações de, sei lá, que computador comprar. Veja como ele fala.

Percebeu a diferença? Os caras do “Manifesto Cluetrain” dizem:

Conversações entre seres humanos parecem humanas. Elas são conduzidas em uma voz humana. As pessoas se reconhecem como tal pelo som desta voz.

Quer seja explicando ou reclamando, brincando ou séria, a voz humana é genuína. Ela não pode ser falsificada.

A vida corporativa nos ensina a vestir fantasias. Uma mãe de três filhos divorciada, dona-de-casa por opção, cinéfila, ciclista e artesã veste todas as manhãs sua fantasia de diretora executiva de multinacional. Lá ela não fala sobre seus filhos ou a última pedalada. Ela não conta piadas nem fala abertamente o que pensa como faz fora da empresa. Sua voz deixa de ser humana. É assim que as empresas estão falando com seus clientes, e é assim que estão tentando falar com os blogueiros.

Como vocês blogueiros vêem os blogs corporativos?

Depende. O que exatamente você chama de “blog corporativo[bb]“?

Tenho um amigo que trabalha na Microsoft. Sou usuário de Linux e, que me lembre, não uso atualmente nenhum produto da Microsoft. Mas, graças a nossas conversas (presenciais, não em blogs) sei bastante coisa sobre o que a empresa anda fazendo hoje em dia, inclusive algumas soluções muito, muito interessantes. Estou até propenso a escrever sobre algumas coisas.

Por que meu amigo conseguiu me falar dessas coisas todas? Porque ele é humano. Porque se eu digo que determinado produto não presta ele não responde com um “estamos fazendo o melhor para atendê-lo” ou qualquer outra coisa assim.

Quer ver só? Acesse o blog do Rexona. Você vai perceber que é só um clipping de notícias com um sistema de comentários. Não foi escrito por uma pessoa, foi escrito talvez por uma empresa, um frasco de desodorante ou quem sabe um atendente de telemarketing. A voz das pessoas é diferente daquilo. Pessoas tem um nome. “Rexona” não é nome de gente. Pessoas emitem opinião. Às vezes, até são engraçadas.

Os blogs não podem salvar seu produto ruim.

Tenho falado mal da Telefonica aqui neste blog. Atendem mal, e me deixaram de fora do Google CodeJam. Já falo mal deles há uns cinco anos, e esse site, por exemplo, está no ar há seis.

Se você fizer uma busca simples, vai descobrir que as reclamações são constantes. A qualidade do serviço e do atendimento não mudou nada nesses seis anos. O que você acha que as pessoas estão falando por aí, fora da internet, sobre a Telefônica? Converse com seus vizinhos. Não há nada que a Telefônica possa fazer para que eu e milhares de outros blogueiros falemos bem dela, a não ser melhorar o serviço.

Esta semana precisei novamente deles. Perdi horas ao telefone. Não é uma hipérbole, perdi horas literalmente. Se for falar da Telefônica, o que você acha que eu vou dizer?

Produto é marketing

Homens de marketing[bb], o trabalho de vocês tem mais a ver com operações, atendimento e a própria criação do produto. Voltem aos seus velhos manuais de marketing da faculdade, e vocês vão ver que tudo isso está lá dentro, esquecido. Criar o produto, dizer como ele deve ser, é uma atividade de marketing.

Você precisa de um produto que as pessoas, ao ver, pensem: “Uau! Preciso contar isso para alguém.” Pense no Skype, no iPod, no Nintendo Wii, no Gmail, no TiVo. Simplesmente não dá mais para falsificar isso, porque estamos todos conectados.