Vídeo e slides da minha palestra no ELPI

Coloquei os slides no slideshare, aqui.

E o Andrey Pedro Lefkum filmou a palestra inteira e publicou.

A resenha oficial:

A palestra apresentou ao público os Microformats[bb], uma maneira de incluir novas características e possibilidades no HTML atual, oferecendo significado extra ao conteúdo e facilitando a criação de mash-ups. Comparou também a adoção inicial de Microformats com o padrão de adoção de novas tecnologias abertas, em especial o RSS. Por fim, demonstrou com exemplos práticos a simplicidade para se implementar Microformats e sua grande utilidade e flexibilidade.

Bom proveito!

YouTube no Brasil, Flickr em português

Vi os dois no CrisDias:

YouTube Brasil.

Flickr em Português.

No Flickr, um detalhe curioso: se você já acessou o site do Flickr, talvez haja um cookie em sua máquina que faz com que você veja sempre em português. Se você clicar no link acima e não vir o Flickr em português, clique no rodapé, no link “português”:

flickr em português

Será um sinal de que os números em nosso mercado estão ficando mais significativos? Ou é algo que já devia ter sido feito há muito tempo?

Isso me fez lembrar um trecho da palestra do Marty Cagan no ELPI, ao final, na parte de dúvidas, alguém perguntou a ele sobre o desenvolvimento de produtos no Brasil e para o Brasil. E ele disse que enxerga um grande potencial no desenvolvimento de produtos no Brasil, mas vê grandes dificuldades no desenvolvimento de produtos para o Brasil. E o motivo é o tamanho de nossa Internet. Como dado ele citou o fato de que nos Países Baixos o índice de penetração da Internet está em mais de 95% da população, enquanto no Brasil esse índice não chega a 17%.

Esse é um problema de visão muito comum. Os 17% da população brasileira que acessam a Internet são mais de 32 milhões de pessoas (dados do IBGE, de 2005). O dobro da população dos Países Baixos. Ou seja, um mercado de um tamanho respeitável.

Em tempo: apesar dessa resposta infeliz (e responder as perguntas ao final é mesmo difícil às vezes) a palestra do Marty Cagan foi a melhor coisa do dia. Estou ruminando algumas das idéias dele até hoje.

9° ELPI em São Paulo

Você, que não sai de casa sem dar uma lida em seus feeds, não se esqueça de levar uma extensão a minha palestra no 9° Encontro Locaweb de Profissionais de Internet hoje. Será no Teatro Frei Caneca e, desta vez, infelizmente, não haverão inscrições no local. Então, se você não se inscreveu com antecedência, só ano que vem…

Ah, eu devolvo a extensão ao final, prometo.

Microsoft, Google e o poder da massa crítica

Está todo mundo por aí falando sobre:

  • Microsoft Surface, um computador-mesa realmente impressionante. Entre no site e veja alguns dos videozinhos que você vai entender.
  • Google Gears, uma extensão para Firefox/Internet Explorer que permite ao desenvolvedor web guardar dados locais, na máquina do usuário.
  • O Orkut agora permite que você cadastre feeds em seu perfil.

Quando olhei cada um desses lançamentos, tive a mesma reação: “Ah, grande coisa!”

Nenhuma dessas idéias é nova ou revolucionária. Começando pelo Surface, é uma coleção de idéias velhas. Já vimos parte delas implementada no iPhone e na maneira como o sujeito pode usar os dedos nele. A idéia de colocar um computador numa mesa ou permitir seu uso por mais de uma pessoa também não é nova. E a maquininha da Microsoft está saindo por 10 mil. Dólares.

O Google Gears merece um pouquinho de explicação antes de dizer que a idéia não é nova. O Gears tem três componentes importantes. O primeiro é um tipo de servidor proxy com cache local. É um pouquinho mais do que isso, mas no fim permite a uma aplicação web responder dados ao usuário uma única vez, e ele terá esses dados em sua própria máquina a partir daí. O segundo é um banco de dados local, que permite a uma aplicação web, por exemplo, funcionar offline. O terceiro é um mecanismo para fazer com que seus scripts possam ser executados em segundo plano, sem congelar o navegador. De verdade? Isso não é nem tão novo, nem tão revolucionário assim. Para o sujeito que está desenvolvendo um Gmail, pode fazer diferença. Mas para pequenas aplicações, ou mesmo as medianas, dessas que a gente desenvolve todo dia, tudo poderia ser resolvido com cookies e um pouquinho de inteligência, sem demandar a instalação de um plugin.

Por fim, os feeds no Orkut. Aqui a experiência de quem esperava algo realmente novo pode ser decepcionante. Leia os comentários do Charles Pilger sobre o assunto, por exemplo.

Apesar disso, há algo que pode realmente fazer diferença nesse tipo de produto: massa crítica, quantidade de usuários, visibilidade. O Surface pode mostrar ao mundo a idéia nova. Talvez eu nunca venha a ter um Microsoft Surface, mas quem sabe eu daqui a algum tempo comecem a vender o XingLing Surface, o Itautec Surface ou o Positivo Surface? Tenho perguntado ao auditório, nos Encontros Locaweb, quem usa leitores de feeds e quem fornece RSS de qualquer maneira. Num público de desenvolvedores, o número de pessoas que levantam suas mãos é assombrosamente baixo. Imagino que entre os seres humanos comuns este números deve ser ainda menor. Feeds no Orkut podem ser um excelente recurso educativo. Isso pode fazer muita gente descobrir o RSS.

Em relação ao Gears, assim como em relação ao Silverlight, que não está na lista acima porque já tem um tempo, acontece algo curioso. Quem teria coragem de apostar hoje numa tecnologia que exige a instalação de um plugin para que seu site seja usado? Se fosse qualquer empresa pequena que estivesse lançando um desses produtos, ele logo seria descartado como algo ridículo. Mas todo mundo tem suas em relação ao poder de empresas como a Microsoft ou o Google de fazer com que as pessoas instalem algo em suas máquinas.

Em suma, quando você tem metade da Internet usando seus produtos, as regras podem ser diferentes para você. E quando você lança um Google Notebook ou um Zune, as pessoas parecem se esquecer muito rápido que você fracassou.

Em relação ao fato de não haver nenhuma novidade nesses produtos, vale lembrar o que diz o Getting Real: uma boa idéia não vale quase nada, o que vale mesmo é uma boa execução. Embora o Surface não seja novo, parece pelos vídeos que foi executado de maneira exímia.

E, claro, a história dos computadores mostra que nem sempre os melhores vencem. Nada de certezas, por enquanto.

Links interessantes: